domingo, janeiro 14, 2007

UM MUNDO EM MUDANÇA (AS AMEAÇAS)

Tipologia e organização das ameaças


O mundo de hoje é substancialmente diferente do mundo do fim da guerra fria. Assolado por transformações a um ritmo sem precedentes ao qual ninguem estava preparado, “o avanço cientifico e tecnológico não correspondeu ao mesmo progresso em termos morais e comportamentais, tanto do individuo, como da sociedade”[1].

A globalização aumentou as desigualdades, num mundo já de si desigual e dividido entre um Norte cada vez mais rico e um Sul cada vez mais pobre. As organizações supranacionais, principalmente as que deviam regular os mercados, Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e outras afins, pouco ou nada tem feito. O Estado-Nação como primeiro actor das relações Internacionais cada vez mais passa de actor principal no panorama internacional para o papel de actor secundário, refém das pressões e interesses de grandes grupos económicos, sem o investimento dos quais não consegue criar bem-estar, factor fundamental para a segurança do Estado.

O Estado, como entidade, deixou de ter o primado e monopólio da aplicação da violência como acto regulador das relações entre estados, e a ameaça, hoje mais do que nunca tornou-se incerta, não só em termos de espaço, como em termos de tempo.

Se em termos de tempo as consequências passam essencialmente pela incapacidade de definir quando se apresenta em termos efectivos a ameaça, por exemplo – quando é que vai ocorrer um ataque, em relação ao espaço coloca-se a questão relativamente à soberania dos estados. As ameaças são supranacionais, transnacionais e infranacionais, onde as dificuldades dos estados são evidentes. As grandes questões de segurança que se apresentam aos estados já não se resolvem no interior das suas fronteiras politico-administrativas.

A liberdade de movimentos no interior da União Europeia veio esbater a distinção entre segurança interna e um modelo de segurança transnacional dependente de terceiros. O Estado-Nação tornou-se vulnerável em muitos aspectos e incapaz de por si só de controlar aspectos chave da sua soberania, delegando essas responsabilidades em actores supranacionais.

O tráfico de armas, de pessoas, branqueamento de capitais, crime organizado e terrorismo internacional e a proliferação de armas de destruição massiça são hoje ameaças à segurança e estabilidade internacionais, e consideradas como sendo ‘as novas ameaças’.


[1] Garcia Leandro, General, Paz e Segurança, Nação e Defesa, IDN, Lisboa, 2003

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