segunda-feira, janeiro 15, 2007

INTELIGÊNCIA


“A Espionagem é a segunda profissão mais velha do mundo, e tão honrosa como a primeira.”
Phillip Knightley
A Inteligência visa a redução da incerteza no conflito. Como conflito deverá entender-se uma postura de competição ou oposição resultante de atitudes divergentes, de duas ou mais entidades, ideias ou interesses. O conflito não terá necessariamente a ver com combate fisico. Aonde exista competição ou negociação, então dois ou mais grupos estarão em conflito.

A Inteligência não procura, ‘per si’, a resolução do conflito, mas fazer entender a uma das partes, as causas do mesmo, bem como as características do opositor, por forma a disso tirar vantagens.
Assim sendo, a Inteligência procura a redução da incerteza através da obtenção da informação que o opositor no conflito deseja ver negada. A Inteligência pode ser entendida, de um modo geral, como um processo complexo de tratamento da informação disponível nas diversas fontes.
O objectivo da Inteligência é estabelecer factos e dai desenvolver inferências precisas, fiáveis e válidas (hipoteses, estimativas, conclusões e predições) para serem usadas nas tomadas de decisão estratégicas ou no planeamento operacional.

De alguma forma, pode até confundir-se a metodologia usada na Inteligência com uma pesquisa de mercado. No fundo ambas as actividades buscam o mesmo fim: a redução de incertezas e a apresentação do melhor produto possível ao seu cliente. A metodologia é identica em amboa os casos, com uma importante distrinça. Quando uma informação não é possível obter por meios tradicionais (e menos dispendiosos), então um conjunto de técnicas específicas e métodos são usados por parte da inteligência. É pouco provável que uma empresa de pesquisa de mercado recorra a meios de interceptação de comunicações, ou tenha à sua disposição esse tipo de meios para a recolha e análise da informação. Da mesma forma, uma empresa não deverá necesitar de recorrer a técnicas de dissimulação, negação e decepção.

Porque Inteligência é conflito, dá suporte ao planeamento de operações militares, negociações diplomáticas, negociações políticas e comerciais e a operações políciais. O principal cliente da Inteligência é a entidade que decide com base na informação obtida: o executivo, o decisor, o comandante ou o agente policial. É comum descrever-se a Inteligência[1] como sendo informação tratada e pronta a ser usada. O boletim metereológico é informação tratada e pronta a ser usada, faz a predição ou estima das condições metereológicas futuras mas decerto não se enquadra na definição de Inteligência[2].

Por último, Inteligência tem a ver com um alvo, o cerne do problema sobre o qual um conjunto de pessoas necessita respostas.
Se a Inteligência tem a ver com a procura de informação, a contra-Inteligência procura negar ao adversário do conflito o acesso a informação ou fornecer informação plausível mas errada.

[1] Grande parte dos Países Anglo-saxónicos, bem como a doutrina NATO, utilizam os termos ‘Information’ e ‘Intelligence’. O primeiro deve entender-se como a matéria prima que foi obtida e ainda não foi tratada, sendo a segunda o resultado do processo analitico sobre a primeira. A doutrina Portuguesa utiliza noticia e informação, por esta ordem, para designar ambos os termos. Na opinião do autor, o conceito de informação é demasiado vago e confunde-se facilmente com a vertente da informação que não se enquadra na definição de intelligence quanto aos meios usados na recolha e aos fins a que se destina.

[2] O mesmo já não se pode afirmar se esses dados forem usados para a condução de operações militares ou na análise do emprego de meios de vigilância. As condições climatéricas inferem, entre outras coisas, por exemplo na visibilidade, pode implicar a limitação no uso de aeronaves, meios de obtenção de imagem, propagação das ondas electro-magnéticas, etc.

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