(IN)SEGURANÇA
A insegurança é um sintoma cada vez mais generalizado na sociedade ocidental contemporânia, e que está definitivamente ligado à violência quotidiana que nos é injectada diariamente nos orgãos de comunicação social.
“Hoje somos todos americanos”, frase esta celebrizada aquando do atentado terrorista ao coração da América, referência do paradigma da segurança, e cujo reforçar de sensações e sentimentos se multiplicou nos subsequentes atentados de Madrid e Londres.
A frase acima expressa acresce de importância quando analisada à luz de Ackerman, Dulong e Jeudi nas suas pesquisas sobre o imaginário da segurança, em que se observa uma grande uniformidade nos relatos sobre os actos violentos, tanto nas pessoas que foram vítimas desses mesmos actos, como em pessoas que a ele não se encontram ligados , mas que dele tiveram conhecimento à posteriori. Estas últimas interiorizam representações do que acontece no caso de violência, reincarnado os sentimentos: sofrimento, conduta e reacções da vítima.
O mecanismo de base é pois, a identificação com a vítima e a repropriação do incidente, fenómeno exponenciador de uma sociedade insegura, com o qual, solidariamente, antecipamos a nossa vitimização futura.

2 Comments:
Apesar das reais ameaças que subsistem no nosso quotidiano, o sentimento de insegurança é mais sentido que real. A própria noção de segurança implica a ameaça da insegurança, sendo ela própria, por si só, uma noção negativa e restritiva das nossas açcções. O ideal sentimento de segurança consistiria assim em esquecermo-nos da existência de insegurança, dando lugar ao sentimento de confiança, este mais positivo, que assentaria no facto de acreditarmos na existência de mecanismos de controle efectivo que respeitem a jjustiça e tentem impedir as injustiças no decurso natural da vida em sociedade.
O que se pretende demonstrar é que este fenómeno é por si só exponenciador da própria insegurança.
A mediatização de um determinado acontecimento, implica em quem dele tem conhecimento acabe por avocar a si uma vitimização futura.
A violação ou rapto de uma criança tem reflexos nos restantes pais, receosos que num futuro mais ou menos distante tal facto facto venha a recair sobre si própio.
Ou seja, a mediatização do acto violento, exponência a insegurança.
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