segunda-feira, março 26, 2007

Um Grande Português


Passados 11 anos sobre a morte do escritor, não psso deixar de manifestar inquietação a propósito daquilo que considero uma parca e injusta atenção dada à escrita de Vergílio Ferreira, antes e após a sua morte, para além de meros textos estudados fugidiamente durante o ensino secundário. O seu desaparecimento físico, não sei se por corolário fatalista dos grandes personagens, se por triste indiferença crítica, foi precedido por uma discrição estranha e amorfa, remetida para os tais textos soltos e perdidos no secundário, sem direito sequer, a um debate televisivo em horário nobre. Resta-me acreditar que a serenidade do seu desaparecimento físico esteja afinal de acordo com a profundidade da sua obra.
Ler Vergílio Ferreira é fazer uma pausa obrigatória na vida e retomá-la de modo mais essencial. Um homem que esceveu a presença inefável e autêntica das coisas, a orientação profunda dos seres, o sentido último da existência. O homem que escreveu sobre a consciência de fundo e reflexiva que nos acompanha pela brevidade dos sentidos, recriando-a em movimentos primordiais como um sonho restabelecido. Li as suas páginas no limite do sentir um jogo presente e ausente de relações com o mundo, como uma ordem transcendente aflorada por simples gestos retocados e inflamados pelo espírito convergente. As suas páginas trespassam a matéria e revelam-nos uma existência intersticial balanceada no desiquilíbrio latente de tudo pertencer a tudo. Desvendam-nos a transcendência como o acto de pensar e sentir, como um começo, um nexo gratuito que se percorre na desatenção dos corpos sem os deixar indiferentes. As sua páginas libertam-nos dos caprichos pessoais e integram-nos num mundo de possibilidades estéticas, ontológicas e afectivas. Abrem-nos um caminho pelas sendas mais profundas do amor divino e encenado pela interpretação humana.
Obrigado Vergílio Ferreira

P.A.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

INTELIGÊNCIA


“A Espionagem é a segunda profissão mais velha do mundo, e tão honrosa como a primeira.”
Phillip Knightley
A Inteligência visa a redução da incerteza no conflito. Como conflito deverá entender-se uma postura de competição ou oposição resultante de atitudes divergentes, de duas ou mais entidades, ideias ou interesses. O conflito não terá necessariamente a ver com combate fisico. Aonde exista competição ou negociação, então dois ou mais grupos estarão em conflito.

A Inteligência não procura, ‘per si’, a resolução do conflito, mas fazer entender a uma das partes, as causas do mesmo, bem como as características do opositor, por forma a disso tirar vantagens.
Assim sendo, a Inteligência procura a redução da incerteza através da obtenção da informação que o opositor no conflito deseja ver negada. A Inteligência pode ser entendida, de um modo geral, como um processo complexo de tratamento da informação disponível nas diversas fontes.
O objectivo da Inteligência é estabelecer factos e dai desenvolver inferências precisas, fiáveis e válidas (hipoteses, estimativas, conclusões e predições) para serem usadas nas tomadas de decisão estratégicas ou no planeamento operacional.

De alguma forma, pode até confundir-se a metodologia usada na Inteligência com uma pesquisa de mercado. No fundo ambas as actividades buscam o mesmo fim: a redução de incertezas e a apresentação do melhor produto possível ao seu cliente. A metodologia é identica em amboa os casos, com uma importante distrinça. Quando uma informação não é possível obter por meios tradicionais (e menos dispendiosos), então um conjunto de técnicas específicas e métodos são usados por parte da inteligência. É pouco provável que uma empresa de pesquisa de mercado recorra a meios de interceptação de comunicações, ou tenha à sua disposição esse tipo de meios para a recolha e análise da informação. Da mesma forma, uma empresa não deverá necesitar de recorrer a técnicas de dissimulação, negação e decepção.

Porque Inteligência é conflito, dá suporte ao planeamento de operações militares, negociações diplomáticas, negociações políticas e comerciais e a operações políciais. O principal cliente da Inteligência é a entidade que decide com base na informação obtida: o executivo, o decisor, o comandante ou o agente policial. É comum descrever-se a Inteligência[1] como sendo informação tratada e pronta a ser usada. O boletim metereológico é informação tratada e pronta a ser usada, faz a predição ou estima das condições metereológicas futuras mas decerto não se enquadra na definição de Inteligência[2].

Por último, Inteligência tem a ver com um alvo, o cerne do problema sobre o qual um conjunto de pessoas necessita respostas.
Se a Inteligência tem a ver com a procura de informação, a contra-Inteligência procura negar ao adversário do conflito o acesso a informação ou fornecer informação plausível mas errada.

[1] Grande parte dos Países Anglo-saxónicos, bem como a doutrina NATO, utilizam os termos ‘Information’ e ‘Intelligence’. O primeiro deve entender-se como a matéria prima que foi obtida e ainda não foi tratada, sendo a segunda o resultado do processo analitico sobre a primeira. A doutrina Portuguesa utiliza noticia e informação, por esta ordem, para designar ambos os termos. Na opinião do autor, o conceito de informação é demasiado vago e confunde-se facilmente com a vertente da informação que não se enquadra na definição de intelligence quanto aos meios usados na recolha e aos fins a que se destina.

[2] O mesmo já não se pode afirmar se esses dados forem usados para a condução de operações militares ou na análise do emprego de meios de vigilância. As condições climatéricas inferem, entre outras coisas, por exemplo na visibilidade, pode implicar a limitação no uso de aeronaves, meios de obtenção de imagem, propagação das ondas electro-magnéticas, etc.

domingo, janeiro 14, 2007

UM MUNDO EM MUDANÇA (AS AMEAÇAS)

Tipologia e organização das ameaças


O mundo de hoje é substancialmente diferente do mundo do fim da guerra fria. Assolado por transformações a um ritmo sem precedentes ao qual ninguem estava preparado, “o avanço cientifico e tecnológico não correspondeu ao mesmo progresso em termos morais e comportamentais, tanto do individuo, como da sociedade”[1].

A globalização aumentou as desigualdades, num mundo já de si desigual e dividido entre um Norte cada vez mais rico e um Sul cada vez mais pobre. As organizações supranacionais, principalmente as que deviam regular os mercados, Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e outras afins, pouco ou nada tem feito. O Estado-Nação como primeiro actor das relações Internacionais cada vez mais passa de actor principal no panorama internacional para o papel de actor secundário, refém das pressões e interesses de grandes grupos económicos, sem o investimento dos quais não consegue criar bem-estar, factor fundamental para a segurança do Estado.

O Estado, como entidade, deixou de ter o primado e monopólio da aplicação da violência como acto regulador das relações entre estados, e a ameaça, hoje mais do que nunca tornou-se incerta, não só em termos de espaço, como em termos de tempo.

Se em termos de tempo as consequências passam essencialmente pela incapacidade de definir quando se apresenta em termos efectivos a ameaça, por exemplo – quando é que vai ocorrer um ataque, em relação ao espaço coloca-se a questão relativamente à soberania dos estados. As ameaças são supranacionais, transnacionais e infranacionais, onde as dificuldades dos estados são evidentes. As grandes questões de segurança que se apresentam aos estados já não se resolvem no interior das suas fronteiras politico-administrativas.

A liberdade de movimentos no interior da União Europeia veio esbater a distinção entre segurança interna e um modelo de segurança transnacional dependente de terceiros. O Estado-Nação tornou-se vulnerável em muitos aspectos e incapaz de por si só de controlar aspectos chave da sua soberania, delegando essas responsabilidades em actores supranacionais.

O tráfico de armas, de pessoas, branqueamento de capitais, crime organizado e terrorismo internacional e a proliferação de armas de destruição massiça são hoje ameaças à segurança e estabilidade internacionais, e consideradas como sendo ‘as novas ameaças’.


[1] Garcia Leandro, General, Paz e Segurança, Nação e Defesa, IDN, Lisboa, 2003

sábado, janeiro 13, 2007

TERRORISMO *



A Al-Qaeda é o rosto do terrorismo global, um terrorismo violento, errático nas vitimas que provoca e racional nos alvos e objectivos que pretende alcançar. No plano ideológico, como movimento, tem que ser analisado na óptica da ‘ideologia manifesta’ e na óptica da ‘ideologia latente’.

A ‘ideologia manifesta’, expressa-se no fundamentalismo religioso, no regresso do Islão às suas origens, à pureza dos seus antepassados (salaf). Na óptica da ‘ideologia latente’, o radicalismo, o Islão político de retorno ao califado como modelo social e político congregador e aglutinador da comunidade dos crentes (a umma).

É nesta dicotomia que se cruza o modelo realista actual de cariz fundamentalista como factor mobilizador, e o modelo radical utópico idealizado por uma estrutura de topo. Utópico porque à “semelhança de marxistas e dos neoliberais, os islamitas radicais vêem a história como um mundo novo” 1. Nesse novo mundo “o poder e o conflito desaparecem. Esta é uma invenção da imaginação revolucionária, e não uma receita para uma sociedade moderna viável; mas neste aspecto o novo mundo imaginado pela Al-Qaeda em nada difere das fantasias planeadas por Marx e Bakunin, por Lenine e Mao, e pelos evangelistas neoliberais, que tão recentemente anunciaram o fim da história. E tal como aconteceu com esses movimentos ocidentais modernos, a Al-Qaeda encalhará nas imutáveis necessidades humanas.” 2

É nesta utopia que se vive o sonho da restauração do Califado Islâmico. O General Loureiro dos Santos, no seu livro “O Império debaixo de fogo” transcreve uma tradução sobre “O futuro do terrorismo – o que a Al-Qaeda realmente quer”, publicado no Spiegel online a 12 de Agosto de 2005. Os objectivos estratégicos (intermédios) descritos em sete fases prevêm o estabelecimento final do califato em 2020:

“A primeira fase, conhecida como “o despertar”, já foi percorrida, e durou de 2000 a 2003, mais precisamente, dos ataques terroristas de Setembro de 2001 em Nova Iorque e Washington, à queda de Bagdade em 2003. A finalidade dos atentados de 11 de Setembro foi provocar os Estados Unidos a entrarem em guerra no mundo islâmico, e então, provocar o despertar dos muçulmanos. “Segundo os estrategistas e ideólogos da Al-Qaeda, a primeira fase teve imenso sucesso”, escreve Hussein. “Aberto o teatro de operações, os americanos e os seus aliados tornaram-se num objectivo próximo e fácil”. Também se afirma que a rede terrorista está satisfeita pelo facto de a sua mensagem estar a ser ouvida por todo o lado.

A segunda fase, “abrindo os olhos” é, de acordo com a definição de Hussein, período em que nos encontramos,que durará até 2006. Diz Hussein que os terroristas esperam que a conspiração ocidental fique ciente da “comunidade islâmica”. Hussein acredita que esta é a fase durante a qual a Al-Qaeda pretende que a organização evolua para movimento. A rede está a investir no recrutamento de jovens, ao longo deste período. O Iraque deverá tornar-se no centro de todas as operações globais, criando ai um “exército” e estabelecendo bases noutros Estados árabes.

A terceira fase é descrita como “progredindo e consolindando”, e deverá durar de 2007 a 2010. “O foco será a Síria”, profetisa Hussein com base no que as suas fontes lhe disseram. Os quadros combatentes já estão supostamente preparados e alguns encontram-se no Iraque. São previstos atentados na Turquia e, com maior intensidade em Israel. Os mentores da Al-Qaeda aguardam que os ataques em Israel os ajudem a que o grupo terrorista venha a ser uma organização conhecida. O autor também crê que os países vizinhos do Iraque, como a Jordânia, ficaram em perigo.

A quarta fase, entre 2010 e 2013, será a altura, segundo Hussein, em que a Al-Qaeda conseguirá o colapso dos odiados governos árabes. A estimativa é que, neste período, “a humilhante perda de poder dos regimes conduzirá ao aumento da força da Al-Qaeda”. Ao mesmo tempo, devem ser desferidos ataques contra os produtores de petróleo e atingida a economia norte-americana, usando o ciberterrorismo.

A quinta fase será o período durante o qual pode ser declarado o Estado Islâmico, ou Califado. O plano é que, por esta altura, entre 2013 e 2016, a influência ocidental no mundo islâmico seja tão reduzida e Israel tenha enfraquecido de tal modo, que a resistência não é de temer. A Al-Qaeda espera que, nesta fase, esteja com capacidade de estar prestes a estabelecer uma nova ordem internacional.

A sexta fase, para Hussein, ocorrerá de 2016 em diante, e no seu decurso haverá um período de “confrontação total”. Logo que o califado tenha sido declarado, o “exército islâmico” instigará a “luta entre os crentes e os não crentes ”3, que tem sido frequentemente prevista por Ossama Bin Laden.

A sétima fase, como etapa final de todo o processo, é descrita como “vitória definitiva”. Hussein escreve que, aos olhos dos terroristas, uma vez que o resto do mundo se encontrará tão enfraquecido, por acção dos “mil e quinhentos milhões de muçulmanos”, o califado prevalecerá, indubitavelmente. Esta fase deverá estar completa até 2020, embora a guerra não deva durar mais do que dois anos.” 4

É na realidade da ‘ideologia manifesta’, que se expressa a ameaça para o ocidente. É naquilo que Jason Burke define como a 3ª fase da Al-Qaeda, “a metodologia, a máxima, o preceito, a norma, a maneira de ver o fim. O núcleo desagregou-se, a ‘rede das redes’ rompeu-se. Para ser membro da Al-Qaeda basta afirma-lo” 5. Porque pertencer à Al-Qaeda “significa não pertencer a nenhum território e não reconhecer a autoridade de nenhuma lei criada pelo homem” 6

Na prática significa que a estrutura superior deixou de ter capacidade de comando e controlo sobre a organização. Se algo existe em termos de direcção está ”a exercer-se à distância, através de éditos religiosos gerais e da propagação de uma doutrina de ódio e violência, embora usufruindo da celeridade da internet e do telemóvel.” 7

A Al-Qaeda passou a uma lógica de ‘holding’, actuando os seus elementos de base numa lógica de ‘procuração’ ou de ‘frainchising’.

A grande vitória de Bin Laden, acidental ou não, foi a forma como a mensagem se espalhou. Esta nova Al-Qaeda não necessita de uma estrutura de comando centralizada, ela gere-se por si. De tal forma que o terrorismo de matriz islâmica passou a ser um fenómeno endógeno do ocidente.
É na exclusão social e na inadaptação gradual dos costumes ocidentais que o terrorismo islâmico tem recrutado os seus mártires. Na mesquita ou na madrassa, na prisão, o futuro mártir encontra compreensão e apoio, um sentido de vida e um sentimento de pertença grupal. É no grupo que o futuro mártir se vai sentir valorizado, vai aprender a defender os valores transmitidos de pertença, reagir com indignação e contra-atacar quando se sente ameaçado. Deste modo, na sua lógica e na lógica do grupo, as suas acções são plenamente justificadas.

É nas franjas “radicalizadas das comunidades muçulmanas” do ocidente que a Al-Qaeda se alimenta, e a dúvida reside em saber se neste “cavalo de troia" de milhões de muçulmanos a viver no ocidente, poderá vir a minar este mesmo ocidente a partir do seu interior. 8

Ossama Bin Laden lançou a semente.

* Este artigo foi retirado do Capítulo III – Um mundo em mudança (As Ameaças) do ensaio “Os Desafios da Inteligência num Mundo Globalizado” no âmbito da cadeira de “Globalização e Segurança” da pós-graduação em “Informações e Segurança” no ISCSP.
O Autor do Ensaio
1 Gray, John, Al-Qaeda e o significado de ser moderno, Relógio D’Água, Julho 2006, pp 18.
2 Ibidem.
3 Entre o dar-al-islam e o dar-al-Harb. A visão dicotomista do mundo, a luta entre o bem e o mal, o paraíso e o inferno, Deus e Satanás, fíel e infíel.
4 Santos, General Loureiro dos, Império debaixo de fogo, Europa-América, 2006, pp. 65 e 66.
5 Burke, Jason, Al-Qaeda a história do islamismo radical, Queizal editores, Lisboa 2004, pp.293
6 Scruton, Roger, O Ocidente e o Resto, Guerra e Paz, 2006, pp. 115
7 Pereira, Rui (e outros), As teias do terror – Novas ameaças globais, esquilo, 2006, pp. 58.
8 Pinto, Maria do Céu (Coordenação), O Islão na Europa, Prefácio, 2006, pp. 11.

domingo, janeiro 07, 2007

"Shahid" - O mártir



“Shahid” – O mártir


O martírio expresso como acto terrorista religioso de matriz islâmica, afronta a compreensão do mundo ocidental sobre as causas e objectivos que aquele dissimula ou projecta. Tanto a compreensão nuclear, na relação directa de adequação do objecto ao sujeito, como a compreensão alargada, recorrente do historial de vivências e conhecimentos acumulados, actualizada pelos mecanismos da memória, se mostram insuficientes para integrar tal acto.

A crença em Alá, Deus de cuja ideia absoluta por parte dos crentes, não permite interferências humanas para além da expansão da própria ideia, materializa uma visão maniqueísta do mundo, um mundo mau e um mundo bom, da luz e das trevas, do conhecimento e da ignorância, mas também da fé actuante e da fé inerte. A fé actuante, através da Jiâhd, impõe-se pela natureza absolutista de Deus, e pela sua natureza unificadora da comunidade de crentes e irmãos, assim como dos não crentes ou “infiéis”. Não sendo o martírio, como acto terrorista, exclusivo da religião islâmica, a fé actuante que o inspira desenvolve-se numa “acção total”, que implica, entre outras coisas, a luta contra os inimigos que obstruem o caminho do Islão. Parece assim diferir da fé cristã que, salvaguardando os casos de fundamentalismo activista, é geralmente relegada para uma devoção pacífica na relação com Deus.

Contudo, nem a grande maioria dos crentes no Islão são mártires, nem àqueles que o são parece ser razão suficiente e justificativa, a ideia de uma fé actuante, sendo que, a sua consciência moral e normativa deverá potenciar e levar a cabo tal acto. O estado de desenvolvimento da consciência moral e normativa do mártir, não deverá passar, no de diria Kohlberg, do estado pré-convencional, ou, segundo Piaget, da moral heterónoma. Excluindo o facto de anomalia psíquica grave e a sua possível correlação com alguns mártires, para os sujeitos que se situam neste estádio, as normas e expectativas sociais permanecem exteriores a si próprios, reduzem-se a um conjunto de regras e valores externos a que se obedece para evitar o castigo ou então para satisfazer desejos ou interesses concretos, ao invés de serem integrados em conformidade com princípios éticos universais, tais como o direito à vida. As sociedades muçulmanas educam pela moral da culpa e do castigo. Em relação ao mártir, a culpa é sempre dos outros, dos não crentes, os quais devem ser castigados. Resta assim a coragem distorcida de fazer explodir o corpo no desvalor pela própria vida e vida dos inocentes.

P.A.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

O Terrorismo de Estado




Ao visionar as imagens 'ilegais' do enforcamento de Saddam Hussein, veio-me de imediato à cabeça um ensaio do Dr. Rui Pereira sobre "terrorismo e democracia". Em determinado ponto desse ensaio faz-se alusão à inevitabilidade do acto terrorista, na perspectiva de que a luta entre o Estado de Direito Democrático e o Terrorismo é assimétrica.

Na análise das vantagens do autor do acto de terror, é feita uma analogia ao futebol em que a uma equipa a tudo é pemitido enquanto que à outra nada é permitido e ao minimo toque no adversário é assinalado falta.

O terrorista beneficia da iniciativa, escolhe o lugar, tempo e modo como leva a cabo a acção (imprevisibilidade). O terrorista despreza em absoluto as regras do estado de direito, incluindo os direitos mais elementares.

Assim sendo, porque não são bem sucedidos todos os atentados?

"Um tal desfecho só não é inevitável porque o Estado possui, na luta contra o terrorismo, as suas vantagens, a começar pela sua superioridade ético-política. O primado do direito, a submissão do Estado às regras que ele próprio cria, configurando-se prima facie como desvantagem, acaba por constituir um trunfo decisivo."

Não está aqui em causa as atrocidades cometidas por Saddam, a justeza e independência ou não do processo judicial, ou até a legitimidade da aplicação da pena de morte (não o quero aqui fazer), está em causa o papel do Estado como pessoa de bem, do promotor da segurança, a tal que para além dos conceitos de independência, soberania, integridade territorial e unidade do estado, deve também zelar pelo bem-estar e progresso das populações.

Ficou expressa a imagem do Estado Democrático Iraquiano. Afinal à mulher de Cesar .................

segunda-feira, janeiro 01, 2007

IMPRESSIONANTE



Pese embora saia do ambito daquilo que o Globalidades pretende como linha editorial do Blog, existem pequenas coisas pelas quais vale, de vez em quando fugir ao objectivos traçados.

Vale a pena perder (ou ganhar) uns minutinhos a visualizar este pequeno video, afinal a vida não é só desgraças, ainda existem pequenas coisas por este mundo GLOBAL que valem a pena ser vistas e que nos levantam a moral, nem que seja por meros instantes, e nos fazem sorrir e ter esperança de que nem tudo é mau e que passa por cada um de nós, ao seu nível, contribuir para um mundo um pouco mais justo.

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